quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Breve História da Educação e as desiguais realidades educacionais no Brasil

Desde tempos antigos a Educação já não era um bem disponível para todas as classes da população. O ideal de Educação para todos só foi estabelecido após a Idade Média durante o Iluminismo, onde alguns pensadores afirmavam que todos deveriam ter acesso à educação, mas que ela não precisaria ser igual para todas as classes. Mudanças ocorreram na sociedade e interferiram nos métodos de ensino. Os professores se tornam responsáveis em, além de inserirem os alunos na sociedade, transformá-los em agentes ativos para o beneficio da mesma. Embora a Educação tenha se tornado um direito para todos os cidadãos, as desigualdades sociais afetam essa área causando divergências entre as classes diferentes. As condições de cada cidadão determinam seu sucesso no mercado de trabalho ou seu fracasso no mundo globalizado.

Palavras-chave: Educação; Desigualdade Social; Sociedade.

INTRODUÇÃO

A Educação é algo fundamental na vida de uma pessoa. É através dela que o indivíduo se torna um cidadão ético reconhecido na sociedade. Além disso, a Educação é uma ferramenta que pode ser usada para a satisfação pessoal e a realização profissional. A Educação tem um valor muito grande e quem a busca agrega essa riqueza para si e ninguém mais pode tirar. Como a própria Bíblia diz, “Feliz é a pessoa que acha a sabedoria e que busca o conhecimento, pois isso é melhor do que a prata e tem mais valor do que o ouro” (Provérbios, 3:13-14).

Neste post, vamos fazer um breve passeio pela História da Educação e, ao longo de seu desenvolvimento, vamos ver como é a Educação hoje em dia na sociedade, as mudanças que ocorreram com o passar do tempo, quais suas influências, sua importância, alguns princípios e os problemas sociais que estão acontecendo pela falta de conhecimento.

ANALISANDO A EDUCAÇÃO ATRAVÉS DO TEMPO

Antes de falarmos da Educação Moderna, vamos analisar rapidamente como era a educação nas civilizações do passado, para que possamos fazer um comparativo com os métodos de hoje.

Desde a Antiguidade, a Educação já não era um fator democratizado, ou seja, não era acessível a todas as classes. No antigo Egito, por exemplo, as pessoas recebiam um ensino diferenciado conforme sua classe social. Na época era importante saber falar bem. A arte da palavra era o que garantia a ordem da sociedade. Na Grécia não se preocupavam com a escrita, o foco do ensino destinado à elite era a formação do homem político e a educação física. Usava-se muito o método da Imitação, onde as crianças participavam das atividades de seu grupo e ali aprendiam seus ofícios.

Cada classe da sociedade tinha uma educação distinta que caracterizava as diferentes camadas da população, mas que juntas conquistavam os interesses dos seus dominadores.

Já em Roma a educação era responsabilidade do pai de família, dono de terras, que se encarregaria de ensinar a seus filhos letras, direito, política. O povo simples era impedido de aprender a ler e escrever. Algumas profissões eram ensinadas nas escolas para os escravos se tornarem mais eficientes, pois o homem livre não exercia atividades produtivas.

Posteriormente, por volta do século XVIII, o Iluminismo tinha como um de seus ideais fazer da Educação um bem para todos os cidadãos, embora que não fosse igual para todos eles, mas acreditava-se que a educação era direito do povo. Em 1809, por exemplo, Murat escreve: “É necessário que exista uma instrução para todos, uma para muitos e uma para poucos. A primeira não deve fazer do povo tantos sábios, mas deve instruí-lo tanto quanto basta para que possa tirar proveito dos sábios” (1996).

O ideal de educação para todos tinha como fundamento abrir a visão da classe trabalhadora para que os operários pudessem compreender os objetivos de seus proprietários e seus valores, pois afirmava-se na época que a ignorância do povo fazia com que se guiassem por seu próprio instinto egoísta, incapazes de manterem relações cívicas e sentimentos nobres, necessários para o bem estar social. Kant (1996) afirmava ser impossível ao homem “[...] tornar-se um verdadeiro homem senão pela educação”.

Com o passar do tempo as descobertas científicas impuseram mudanças nos métodos de ensino. A escola foi deixando seu aspecto de apenas inserir o indivíduo na sociedade como um cidadão formado, mas passou a impregnar valores, ideias, pessoas críticas, sem perder a essência, que pretendia a “exploração” dos trabalhadores. Hoje em dia o foco da educação está em instruir crianças e jovens para o mercado de trabalho e para o exercício da cidadania.

Atualmente o professor não pode apenas ser um transmissor de conhecimentos, mas ele é o profissional responsável de preparar seus alunos para tomarem decisões, gerar iniciativa, incentivar a busca de conhecimento, formar cidadãos éticos e capacitados.

A ESSÊNCIA DA EDUCAÇÃO

A educação parte basicamente de duas fontes distintas: a família e a escola.

A família tem a importância de socializar a criança como um ser humano membro e participante da sociedade. Cabe ao seio familiar instruir a criança em relação às atividades de seu sexo, falar de sentimentos, ensinar a respeitar os mais velhos e a proteger os mais novos, ter envolvimento com o ambiente e estruturar uma linguagem e um jeito de pensar.

É importante que a criança pertença a um grupo que esteja na mesma fase de formação para facilitar a socialização, através de jogos, tarefas e trocas de ideias entre as crianças do grupo. A constituição de amizades já na infância desenvolve a personalidade e impede a carência e outros problemas quando adulta. O adulto que realiza algum trabalho pode ser acompanhado por uma criança ou jovem que irá ajudar na realização do mesmo, sendo que assim o que acompanha irá também aprender a função, ou seja, a educação supera os limites familiares.

A escola tem o papel de desenvolver o intelecto da criança. A estrutura da sala de aula exemplifica como é a sociedade em que a criança está inserida. O professor é a autoridade que faz cumprir determinadas regras. O líder estabelecido entre eles mostra a existência da hierarquia. A recompensa de suas atividades ou a punição ocorre por meio de notas. Competitividade, cumprimento de horários e compromissos transmitem a noção de como é a sociedade dos adultos.

DESIGUALDADE SOCIAL E INTELECTUAL

A burguesia é uma camada da sociedade que surgiu após o fim da Idade Média. Classe constituída de ricos comerciantes e banqueiros, a burguesia sempre foi privilegiada pelo seu poder aquisitivo e sua forte influência na sociedade.

Hoje temos várias camadas sociais: ricos, classe média, pobres... A desigualdade das classes pode gerar conflitos entre filhos de pequenos burgueses com os filhos dos proletariados quando estes se encontram em sala de aula. Outro fator também é a exclusão que os próprios professores fazem. Muitos têm a inclinação a favorecerem os alunos mais ricos e de discriminarem os mais pobres.

A educação é direito de todos os cidadãos, mas ninguém é obrigado a estudar (o que é diferente de simplesmente frequentar a escola). Embora a educação seja pública, notamos grandes diferenças nessa área.

O ingresso precoce da criança no mercado de trabalho acarreta problemas sociais como o desemprego, o subemprego, consequentemente a miséria. Jovens se tornam criminosos por não terem seu lugar ao sol, começam a se drogar e a experimentar vários vícios. Problemas que muitas vezes foram causados pela necessidade de trabalhar ou simplesmente pela falta de apoio. Outro fator alarmante é o caso de muitas meninas engravidarem na adolescência, sem planejamento familiar e o que é pior, sem condições financeiras e instrução para cuidar da criança.

Infelizmente, da maneira que as coisas andam no Brasil, torna-se difícil padronizar a sociedade. A desigualdade social afeta muito a educação do nosso país.

Um trabalhador comum sofre para comprar a lista de materiais de seu filho, constituída de elementos básicos, como papel, caneta, cadernos, lápis, borracha, e que muitas vezes a criança ingressa com idade avançada na escola pública e tradicional, com apenas um quadro negro, giz, cadeiras e carteiras e a presença de um professor. Realidade bem diferente de quem tem um poder econômico melhor, que coloca seus filhos em escolas particulares e climatizadas, que promovem passeios culturais, escolas que têm acesso à internet, revistas atualizadas e professores qualificados.

Essa desigualdade interfere não somente na formação do intelecto da criança, mas acarretará consequências em diversas áreas para o resto da vida, tanto positivas quanto negativas. Negativas para quem teve uma má formação educacional, que não estará apto a realizar funções de destaque na sociedade. Positivas para quem obteve um ensino de qualidade e de alto padrão, estes manterão seu nível e sua influência. E dessa forma o círculo continua a girar, com ricos cada vez mais ricos, pobres cada vez mais pobres, salvo, é claro, raras exceções.

Como diz a professora Amira, do México, em seu comentário na revista Despertai (2002, p.8): A violência e o uso de drogas na família afetam diretamente as crianças. Elas vivem num ambiente onde aprendem palavrões e outros vícios. Outro grande problema é a pobreza. Embora o ensino seja gratuito, os pais têm de comprar cadernos, canetas e outras coisas. Mas a alimentação sempre está em primeiro lugar.

Nesse sentido, cabe à escola também incentivar a criança a ter um sonho, a gerar uma perspectiva de vida melhor do que a dos seus pais e, quem sabe assim, ela fará a diferença no seu meio social.

EDUCAÇÃO MODERNA
“Ensinar bem não é algo que se consegue com técnicas, estilo, plano ou métodos específicos, [...]. Ensinar é, sobretudo, um ato de amor”. (AYERS, Wiiliam. citado em Despertai, 2002, p. 4).

A Educação tem contato com algumas áreas das ciências humanas, como a psicologia e pedagogia no que diz respeito à compreensão da personalidade dos alunos, seus relacionamentos interpessoais; antropologia e sociologia que esclarecem as formas de aprendizagem e suas influências na sociedade; estes são alguns fundamentos da educação.

A Educação zela pela ética na sociedade, este sempre foi um dos princípios que ela carrega. Despertar o senso crítico, intelectual, informar, forjar pessoas pensantes e formadoras de opinião, pessoas influentes e conhecedoras do mundo que vivemos e agentes ativos na sociedade. É para essas causas que a educação se faz presente em nossas vidas.

Vários meios contribuem para o acesso à educação, tanto meios de comunicação como também meios de transporte. Os meios de transporte auxiliam no acesso ao estabelecimento de ensino e os meios de comunicação proporcionam o próprio ensino.

Facilitar o aprendizado planejando, aplicando e avaliando, estes são os objetivos dos professores. O professor é apenas um instrumento para o aluno usar.

Revistas, jornais, livros, televisão e principalmente a internet são elementos essenciais para que ocorra a educação. Muitas escolas já possuem laboratórios de informática que favorecem um ensino qualificado e rápido, bibliotecas equipadas com grandes acervos e boa estrutura física, fontes de pesquisa diversificadas e interativas e professores preparados para as funções de ensinar e educar. O avanço da tecnologia e da globalização tem acelerado, mudado e ajudado os métodos de ensino, mas, infelizmente, muitas escolas estão atrasadas, principalmente as públicas que se encontram no interior das cidades e que ainda mantêm os métodos tradicionais e pouco eficazes de ensino. Universidades adotaram o ensino a distância, ideal para quem não disponibiliza de muito tempo ou dinheiro.

Hoje a educação preocupa-se muito em formar pessoas globalizadas e agentes de mudanças. Acabou-se o tempo em que ler e escrever era tudo. A concorrência no mercado de trabalho exige que comecemos desde pequenos a nos preparar para um futuro complicado, onde quem resiste não é o mais forte, mas sim o mais sábio, o mais graduado, o empreendedor, enfim, aquele que sabe fazer a diferença. Sem medo de errar, pode-se afirmar que a Educação molda o mundo da forma que ela quer, pois conhecimento é poder.

REFERÊNCIAS

AMIRA. Professores, seu papel na nossa vida. Revista Despertai, São Paulo, v. 83, n. 5, p. 8, mar 2002.
AYERS, William. op. cit., p. 4
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada na Linguagem de Hoje. Trad. Sociedade Bíblica do Brasil. Edição para Jovens. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002
KANT, Immanuel. O problema da verdade e a educação. Disponível em: http://www.educacaoonline.pro.br/o_problema_da_verdade.asp? Acesso em: 27 fev. 2007
MURAT, Gioacchino. Um breve passeio pela História da Educação. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/029/29cgennari.htm. Acesso em: 27 fev. 2007

Professor Josimar Tais - 08/03/07


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Um comentário:

Prof. Adinalzir disse...

Texto muito bom e de ótima qualidade.
Conhecer a história da Educação sempre é muito importante!
Meus parabéns, professor Josimar!